Estes são os dias da solidão. A minha eterna companheira. Odeio-a. Quero rejeitá-la, livrar-me dela, voltar ao mundo dos vivos e sentir. Sentir alguma coisa que não seja o travo amargo de um cigarro às 5 da manhã, quando a boca está completamente seca e os olhos alagados. Quero recuperar a sensação de um sono revitalizante; em vez das 3 ou 12 horas de sono depois de uma madrugada a massacrar-me com tudo de errado na minha vida e em mim. Quero sorrir quando vir uma mãe e um filho, ao invés da frustração e injustiça e mágoa em que me afundo. Quero dizer-te que te vás foder, tu e o teu snobismo, por me teres abandonado nestes meses, em vez de retalhar o espírito e culpar-me em busca de uma melhor explicação para o teu egoísmo. Quero gritar palavrões em praça pública para toda a gente, finalmente, perceber que eu não estou bem. Quero que a dormência passe. E o mau-estar constante. E a auto-censura. E acima de tudo, quero escrever. Escrever sem limites, só escrever para viver – nem que seja através da escrita.

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